Pós-graduados podem ganhar até 107% a mais que graduados
05/07/2012 - Pós-Graduação e Pesquisa
O salário médio dos profissionais com mestrado e doutorado no Brasil está 107% acima do recebido por quem terminou apenas o curso de graduação. No caso dos doutores, o ganho é 152% superior. No dos mestres, 89%. Os dados — obtidos com base no Censo 2010 do Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE), divulgado no fim de abril — mostram que é grande a discrepância salarial entre graduados e pós-graduados. A maior distância está entre dirigentes de serviços de educação (remuneração 130% acima da média para mestrado e doutorado), seguido por tradutores, intérpretes e linguistas (114%), analistas financeiros (107%) e dirigentes de recursos humanos (106%). O abismo é menor entre os gerentes de hotéis (3%), engenheiros eletricistas (4%), geólogos e geofísicos (10%), agentes de seguros (10%) e dirigentes de pesquisa e desenvolvimento (13%). "Não é uma surpresa. Afinal, quem chega até o doutorado realiza mais quatro ou seis anos de estudo, e tem, de fato, habilitações superiores e capacidade de atuar em um campo mais abrangente, com mais responsabilidade e visão estratégica", ressalta Marcelo Paixão, professor do Instituto de Economia da UFRJ. O que chama a atenção, porém, na opinião do professor, é o tamanho da disparidade. Entre os profissionais de educação, o abismo na remuneração de quem tem diploma de mestrado ou doutorado e só de graduação atinge um dos níveis mais altos: 93% no caso dos professores de universidades e do ensino superior, 104% para os professores do ensino fundamental e 72% para professores do ensino médio. Sendo que a proporção de mestres e doutores dentro de cada categoria varia de forma significativa: 54%, 2% e 7%, respectivamente. Os dados também chamam a atenção para a pequena população no Brasil que tem um diploma de pós-graduação no currículo — 784.746 — contra 12.679.009 com nível superior concluído. O que também é insuficiente, segundo Marcelo Paixão, do IE/UFRJ. "Em um país com 200 milhões de habitantes, ter apenas 16% de população universitária é pouco. Países como Coreia, China e Índia têm programas muito mais agressivos para colocar as pessoas na pós-graduação", destaca Paixão, que vê no programa “Ciência sem fronteiras”, do governo federal, uma tentativa de melhorar a situação. "Porém, é algo muito concentrado nas áreas de tecnologia e biomédica, o que acaba sendo uma visão pobre. As ciências humanas também têm importância para o desenvolvimento de um país. Fonte: http://oglobo.globo.com/emprego/pos-graduados-ganham-107-mais-5321499